É preto no branco. E na maioria das vezes é muito branco – um alívio para um mundo de excessos. As gravuras em nanquim de Philippe Dias, 25 anos, são cheias de textura. Suas linhas retas – finas, grossas, tracejadas – e seus espirais vêm de todas as direções e, com precisão, se encontram transformando-se em paisagens, caras, flores, pássaros e o que mais estiver em seu imaginário. Philippe está em experimentação constante: dos tradicionais personagens aos recentes desenhos com padrões geométricos que lembram arte africana. Mas, não é regra: o que lhe chamar a atenção ao caminhar pelas ruas vira matéria que alimenta seus bloquinhos que carrega por onde vai.
A música é indissociável de seu trabalho. Nos seus desenhos, pianos, trombones e tubas se disfarçam de pernas, bocas ou cachimbos. Em “Canções Latinas”, as obras são tão variadas quanto as músicas que conduziam Philippe enquanto desenhava. Para além da salsa e do mambo, a música latina tem múltiplas caras e momentos que inspiram o artista a provar novas formas em tamanhos variados. A mostra conta com uma série de sete desenhos em 7,5cm x 11,5cm, gravuras em A2 e A3 e até uma tela de 70 cm x 1,30m.
Philippe trabalha com nanquim há cinco anos, quando deixou as cores de acrílico e pastel, que eram a base de seu trabalho, para preencher os espaços de dualidade branca e preta. Em sua trajetória, Philippe teve alguns encontros com a poesia. Ilustrou livro de poemas (Sopro Sopro, de Heyk Pimenta, 2010) e fez murais no evento multimídia Poiesis Urbanus, no Rio, em 2011. Em 2010, exibiu suas obras na exposição “Buenos Dias, Passarão”, em Sorocaba-SP.