O cliente, quem é? Qual é sua função social dentro do complexo sistema da criação? Aonde vai? E se vai, paga no momento ou manda anotar na sua conta? Inquietantes interrogações voam sobre nós, mas, será a pressa, será a umidade destas noites, as respostas a estas complicadas perguntas as colocamos, com todo prazer, para que sejam estudadas por algum professor universitário. O fato é que, depois de haver afrontado temas de vibrante atualidade como, por exemplo: o tomate e suas implicações desconcertantes - e talvez sinistras - na história e na frenética vida de todos os dias, nos parecia oportuno dedicar umas poucas linhas não muito gramaticais e cinqüenta páginas a toda cor a quem, sem dúvida, pode considerar-se o bem mais valorizado - depois da licença comercial, se entende - de um local: sua clientela. Mais este substantivo frio e por si só não é suficiente para descrever a variedade humana que incansavelmente chega todos os dias, manhã e noite (e ainda bem que à tarde fechamos!) à PIOLA e fica durante horas e horas e horas, obstacularizando assim as tarefas de limpeza da noite. Nós, no entanto, sempre partidários da realidade preferimos falar e escrever dos “clientes” quase como se pudéssemos fazer um retrato individual de cada um de vocês. Mas está bem que tirem imediatamente da cabeça porque não têm idéia do preço do papel hoje em dia e estar quebrado jamais foi um prazer para ninguém. E este será o fim que teremos se fizermos caso às nossas inclinações, porque os clientes da PIOLA são muitos, vocês são muitos. Na verdade muitos e tão diferentes entre si: por idade, por classe social, por estilo de vida. Com jeans lilás ou vestidos como senhores ingleses, alegres e despreocupados ou sérios e preocupados em como fazer para pagar a última conta, de todas as raças e de todas as religiões, mais todo o povo da PIOLA está dotado de uma qualidade a esta altura rara, a paciência. Somente a pessoas como vocês - e não é uma ofensa- crescida na escola dos Estóicos, se pode pedir impunemente que esperem meia hora para ocupar uma mesa com toalha laranja. Em agradecimento a seu sacrifício, preparamos este número da Piola Magazine para redimir-nos um pouco. A PIOLA sempre lhes abriu suas portas. Desta vez lhes abre também suas páginas. |
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| #05 | 1997 |
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